Entrevista com Thercio Medeiros

Thercio Medeiros: tem 21 anos é estudante de Jornalismo na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) no campo I Campina Grande. Ele tem Paralisia Cerebral (PC), um termo geral que engloba manifestações clínicas muito variadas, que têm em comum a dificuldade motora em consequência a uma lesão cerebral.

Descrição do vídeo: Thercio andando em sua cadeira de rodas pelas rampas da prédio de humanas (Integração Acadêmica) da UEPB. Logo após  Thercio sentado em sala de aula. Entrevista com João Augusto, tutor de Thercio, com fundo neutro de uma parede. Por fim imagens de Thercio andando em sua cadeira de rodas pelas rampas da UEPB.

Filmagem e edição: Annellyezy Aparecida

Áudio e entrevista: Fabiana Silva

Interprete de LIBRAS: Jeane Leal

 

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Para quer dizer “eu te amo?

Coração de veludo pendurado na parede

         Ao longo de minha vida juvenil sempre pensei sobre “o que amo?”, sempre falei para minha mãe, desde criança, “Eu te amo”, escrevia cartinhas para ela, tentando demonstrar e escrever o meu carinho, dizendo o quanto ela é leal, apesar de escrever “leao”; sempre dizia a alguns de meus familiares “eu te amo”, inclusive aos meus animais, os quais eu tinha certeza que entendiam muito bem o recado.

       Quando tinha mais ou menos 10 anos de idade, resolvi pegar um dicionário e ver a definição de amor, e o que encontrei no dicionário Aurélio foi “1 Sentimento belo, que impele as pessoas para o que se lhe afigura belo, digno ou grandioso. 2 Grande afeição de uma outra pessoa do sexo oposto. 3 Afeição, grande amizade, ligação espiritual”. Isto não foi o suficiente para me convencer sobre “O que é o amor?”.

     O mundo está cheio de pessoas que dizem “eu te amo”, mas não cumprem o que falam. Quantos não já disseram “eu te amo” a seus pais, por exemplo, e de repente aparecerem estampados em uma página de jornal a seguinte manchete “filho mata pai?” Para mim, isto passa longe de amor, longe de ser qualquer bom sentimento que exista nesta vida. Isto é ódio, um dos piores sentimentos que vem desgraçando muitas famílias ao longo de toda humanidade.

           Desde o final da minha adolescência, venho entendendo que o amor vai muito além de dizer “Eu te amo”, muito além da cartinha, é um ato que só se define com o tempo e atitudes que jamais serão encontradas em uma pessoa que não sabe amar.

       O amor existe de diferentes maneiras, mas com um único objetivo: tentar fazer, àqueles que amamos, felizes. Acredito que sei amar, amo minha mãe, minha família, inclusive meus animais e plantas. Tento não ter raiva de ninguém, muito menos considerar alguém como inimigo, por mais chata que esta pessoa seja. Sempre tive certeza que meus amores me correspondem, pois me ajudam nas horas que mais preciso.

       Assim para entender o amor, tenho sempre em mente um texto bíblico o qual considero uma das mais perfeitas definições de amor Respondeu Jesus: ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’”. Mateus 22:37-39 (acf) . Ao ver isto, entendo que conseguir amar seu próximo não é a maior das dificuldades do ser humano, a dificuldade consiste em amar seu próximo como a si mesmo, portanto, quando leio, entendo que o próximo pode não ser apenas um ser humano, mas um animal, uma planta; animais, por exemplo, sabem amar inclusive muitos deles talvez até mais que certos humanos que dizem “eu te amo” como se fosse um disco arranhado, lançado do radio para fora.

       Portanto cabe a nós mesmos praticar o amor, não apenas o amor, mas o verbo amar, fazer desta ação a mais bela felicidade de nossas vidas. Cabe a nós, consolarmos a quem amamos nas horas difíceis da vida, tentando ajudá-los a superar cada dificuldade imposta pela vida. Ajudar é uma forma de dizer “eu te amo’’ com um simples gesto de amor e carinho”.

                                                                                   Escrito em 15 de janeiro de 2014                          

                   

Descobrindo o canto dos passarinhos

           Para muitos o som é apenas uma variação de pressão que o ouvido humano ou animal pode captar; apenas algo comum, diário e cotidiano; para outros são ondas mecânicas. Mas para Anne isto ia muito além do comum, muito além de ondas; era algo incrível que ela contemplava o pouco que conseguia escutar. Porém nos últimos dias algo vinha ajudando a mudar está historia.

        Inicialmente parecia um dia comum como outro qualquer, Anne tinha saído para fazer compras em um supermercado próximo a sua casa; entretanto sua felicidade não se resumia a isto, e sim á novidades que ajudava a complementar sua vida; e fazer com que o mundo ficasse mais amplo, alto e compreensivo. Sendo assim no caminho para o supermercado ela parou junto á umas árvores. Contudo o dia estava lindo, ensolarado e os passarinhos não resistiram e começaram á cantar; e Anne pode escutar o maravilhoso canto que há anos não escutava.

          Um canto alegre e suave que encanta alma; um som que relaxa e acalma; um som que só os mais sensíveis conseguem perceber a sua filosofia e a partir delas construir historias; uma das mais belas obras Divinas da criação. A partir de agora se podia perceber que cada passarinho tinha seu timbre voz e alcançava um tom e uma determinada nota. Perceber por vez um dos tesouros da natureza, presentes como atrativos no meio urbano. Agora Anne podia perceber que o mundo não é tão silencioso quanto ela imaginava; perceber que agora seu ouvido ganhava destaque.

          O tempo passou, muitas reflexões também. E as compras? Já estava no inicio da noite, e infelizmente ao chegar lá o supermercado já esta fechado. Mesmo assim aquele dia valeu a pena, pois foi um dia diferente em que Anne estava recuperando a magia de ouvir, a magia de sonhar a parti dos cantos mais simples da natureza; a partir de um par de aparelhos auditivos que tinha comprado recentemente. Contudo Anne se sentia contemplada, pelo fato de ter ouvido o canto dos passarinhos. O que ela fez, para muitos pode ser um ato de distração, porém para ela era a descoberta do canto dos passarinhos.

                                                                                                            Escrito em 1 e 2 de maio de 2015